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HISTÓRIA
A Fazenda Espírito Santo

Localizada no Estado do Rio Grande do Norte, particularmente na Mesorregião Central Potiguar, e conhecida por grandes culturas algodoeiras encontra-se a microrregião seridó. A mesma se subdivide em seridó oriental e ocidental e tem por nome a toponímia de um rio, que ao atravessar Parelhas através do Boqueirão, despeja no Piranhas e no Caicó.

A ocupação da região seridoense, particularmente a do município de Ouro Branco, corresponde à presença de atividades pecuaristas e a influência de correntes migratórias, vindas possivelmente de estados como Paraíba e Pernambuco. A proximidade desses estados com a região seridó e a busca incessante por melhores condições de vida, compunham um cenário ideal para a fixação de moradias.

Analisando a importância de rotas na colonização seridoense, aproximadamente nas primeiras décadas do século XVIII por volta de 1734, onde uma partia do Leste para Oeste, através do Boqueirão de Parelhas; e outra do Sul para o Norte, através da Chapada da Borborema, é bem provável que a primeira, passando por Jardim do Seridó até Currais Novos, fosse responsável pela implantação de antigas fazendas no município de Ouro Branco, entre elas, a do Espírito Santo, que tinha como proprietários: Serafim de Souza Marques e Antônio Carvalho de Aguiar.

A grande fé dos moradores do Espírito Santo fez com que os mesmos transformassem sua própria casa, em um verdadeiro oratório, onde freqüentemente se realizavam missas, casamentos e batizados.As cerimônias religiosas realizadas na fazenda Espírito Santo, membro espiritual da freguesia senhora de Santa’na do Seridó, segundo demarcações da época, eram celebradas por párocos ou representantes da própria freguesia.


Ruínas da Casa da Oração - Década de 90


Ruínas da Casa da Oração - Década de 90


Ruínas da Casa da Oração - Década de 90


Capela do Cemitério - Década de 90

O Povoado transforma-se em município

O Crescimento da Fazenda Espírito Santo, a necessidade de adquirir produtos não encontrados na região e a existência de um incipiente comércio entre os moradores da comunidade, onde basicamente negociavam pequenas quantidades de cereais, em um local próximo às primeiras habitações, contribuiu para a organização da primeira feira do povoado, e conseqüentemente para o reconhecimento formal de sua existência.

Os organizadores da primeira feira, os senhores Cirilo de Souza, o conhecido “Velho do poção” e Manoel Correia do cobiçado, realizaram-na em 16 de Julho de 1905, após conseguirem a aprovação e conseqüente oficialização do presidente da intendência de Jardim do Seridó, o senhor Felinto Elíseo de Azevedo.

Vale salientar que embora recebesse apoio espiritual ou religioso da freguesia da Senhora de Santana no município de Caicó, o povoado Espírito Santo, antes mesmo do reconhecimento oficial de sua existência, já ocupava uma área territorial pertencente à cidade de Jardim do Seridó.

A deficiência da produção local ocasionada pela seca de 1904, fez com que organizadores e comerciantes empenhados na feira, importassem mercadorias de cidades circunvizinhas. Produtos como mandioca, milho, feijão e algodão eram cultivados na própria comunidade. O local de realização da primeira feira foi a ilustre e atual rua de baixo, situada próximo ao cemitério público.

Em 1918, diante da possibilidade de mudanças no nome do povoado Espírito Santo, considerando assim, a importante presença da cotonicultura na economia do município, foi apresentada por Abdon Nóbrega a proposta de um novo nome – Ouro Branco – que correspondendo ao sinônimo literário do algodão mocó (Gossypim purpurascenspion), simbolizaria a riqueza da terra. A mudança de nome foi homologada por lei em 1920. Entre 1944 e 1948, a Vila recebe um novo nome – Manairama – simbolizando ainda a riqueza e abundância do algodão no lugar. A mudança de nome não conseguiu obter aprovação popular.

Composta por uma população de 4.334 habitantes no ano de 1950, e dependendo politicamente da Vila independente de Jardim do Seridó, a Vila de Ouro Branco representada por uma pequena parte de sua população, ao lado da significante presença do Sr. Luiz Basilisso, consolida os primeiros passos na luta por emancipação.

Luiz Basilisso, mesmo considerado forasteiro, por ser natural da cidade de Santana do Mato (RN) e conhecido por “curandeiro” por medicar os doentes com seus remédios homeopáticos, ingressou ativamente na política do município. Como mediador do processo de emancipação política, buscou apoio no Deputado Estadual João Guimarães, considerado patrono do Projeto de Criação do município. Este projeto ficou conhecido por encontrar resistências dentro da Assembléia Legislativa e dentro do próprio município. A maior parte da população do município, por acreditar em possíveis e particulares interesses políticos na pessoa de Luiz Basilisso, resolve não aprovar a idéia de Emancipação Política defendida pelo mesmo.

No dia 1º de Janeiro de 1954, no edifício do Grupo Escolar local, na cidade de Ouro Branco do Estado do Rio Grande do Norte, sob a presidência do Sr. Cabo Francisco Pinheiro de Queiroz, subdelegado de polícia... Na conformidade das constituições Federal e Estadual, com alteração da Lei nº 907 de 21 de Novembro de 1953, que criou o município de Ouro Branco”... (Ver Ata de Criação do Município – Anexo).

Luiz Basilisso, importante figura no processo de criação do município de Ouro Branco, havia indicado para ser nomeado primeiro prefeito, o Sr. Antônio Aires Néri, mas o influente conhecimento político do Sr. Manoel Nogueira do Nascimento, fez com que a nomeação do cargo saísse para o seu candidato, o Sr. José Isaías de Lucena por um período que vai de 14 de Maio de 1954 a 31 de Janeiro de 1955.

A primeira eleição municipal realizada na cidade de Ouro Branco foi no ano de 1954 e teve a participação de dois partidos: A UDN e o PSD. Este representado pelo Sr. Luiz Basilisso, aquele pelo Sr. Manoel Nogueira do Nascimento. O resultado da eleição não foi totalmente confiável, pois além de não favorecer o candidato cuja vitória era esperada, uma urna aberta foi encontrada antes da apuração dos votos. O candidato da UDN, o Sr. Manoel Nogueira do Nascimento, venceu a eleição e assumiu o poder de 1º de Fevereiro de 1955 a 31 de Janeiro de 1959.


Manoel Correia - Fundador


Cirilo de Souza - Fundador


Luís Basilísso - Responsável pela Emancipação

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